O que quer que faça, meu caro
Aconteceu-me uma coisa surpreendente enquanto
trabalhava neste livro: Quando estava a receber uma formação para professores,
alguns feministas deram-me o melhor argumento para refutar a sua posição
sobre a violação, do que qualquer outro que eu conseguiria encontrar!(1)
De facto, este grupo, constituído principalmente por mulheres, são umas
feministas (e de esquerda, geralmente) tão determinadas que quase tenho
que me beliscar. Eis o que aconteceu.
Um dos temas que durou um dia de formação foi
o sexo cerebral, baseado num livro com o mesmo titulo(2). Após
se ter falado um pouco sobre as diferenças entre psicologia feminina
e masculina mencionadas no referido livro, o moderador, dirigindo-se
às mulheres da audiência, disse qualquer coisa do género: “Sabem o que
acontece quando dizem aos vossos maridos para não vos comprarem um presente
de aniversário, e ele não compra?”
Formou-se um coro de concordância
complacente principalmente entre a audiência feminina. É suposto os
homens saberem que precisam de comprar um presente. É claro que eu apanhei
logo a oportunidade para dizer, “É exactamente como a violação. A mulher
diz ‘não’, e homem erra faça o que quer que faça.”
Formou-se uma surpreendida, mas quase unanima retaliação de “não!” da
mesma audiência. (eu poderia ter acrescentado que numa situação destas
um homem poderia acabar na prisão por ter feito uma opção, ou perder
o seu casamento por ter feito a outra.)
Assim, se uma mulher diz “não” significando “sim” numa situação, e “não”
significando “não” noutra, é suposto os homens mágica ou telepaticamente
intuírem o significado correcto e actuar de acordo? Apenas os que beneficiam
desta faculdade podem dizer que isto faz sentido.
Este incidente ilustra um certo número de pontos: Um é que a insistência
feminista de que sempre que uma mulher diz “não” quer dizer “não” é
uma mentira, como Camille Paglia, fez notar, embora se considere a si
própria feminista. E que muitos homens foram condenados porque esta
doutrina se tornou oficial em alguns tribunais.
Outro ponto é que permitindo que apenas as feministas tomem a palavra
em políticas de sexo ou género, se criou uma sociedade em que as mulheres
têm a faca e queijo na mão, enquanto os homens são colocados numa situação
de serem presos por ter cão e serem presos por não terem. Por outras
palavras, os homens ocidentais têm cada vez mais que escolher entre
evitarem relacionamentos ou arriscarem-se a serem condenados por violação.
A situação masculina de sempre-a-perder existe também no tribunal em
processos de divórcio ou de violência doméstica. Estas situações são
o resultado inevitável da institucionalização de grupos de pressão femininos
enquanto se ignoram ou se desencorajam grupos de pressão masculinos,
que é o que fazem os meios influentes ocidentais. Resumindo, esta política
de exclusão das perspectivas masculinas conduzirá a uma única conclusão:
um movimento contra o feminismo.
O ponto final que esta anedota ilustra é como o politicamente correcto
está perfeitamente preparado para negar verdades óbvias e forçar a sua
fé por simples peso de números. Isto pode ver-se pelo coro de “nãos”
que o meu comentário suscitou. Para falar verdade, no dia seguinte parece
que o meu ponto de vista tinha atingido alguma extensão, já que a sua
retaliação foi provavelmente o tremer de joelhos das pessoas que reconheceram
a heresia quando a ouviram. Mas devo acrescentar que preparei o terreno
durante vários anos, com a introdução de heresias anti-feministas. Mas
neste contexto, o seu preconceito continuaria a prevalecer e a minha
carreira sofreria várias consequências.
Há basicamente duas maneiras de
olhar para a violação:
1. Encontrar mais maneiras de dizer que o homem é um
ser demoníaco, possivelmente como reacção à negação da sua culpa sobre
o aborto (a aproximação de extrema feminista)
2. Compreendendo-a e tomando uma atitude para prevenir
ou atenuar as suas consequências.
Eu opto pela segunda aproximação, e este capítulo vai incidir na violação
masculina/feminina que é a forma mais conhecida. No entanto, outras
formas como a violação feminina/feminina, podem ocorrer, tal como relatado
no artigo, “Fui violada por outra mulher” (“I was raped by another woman”,
Cleo magazine, New Zealand, August 1999).
O contexto anatómico de violação
Se pensa que os homens são maus e as mulheres são boas, e que as mulheres
são sempre vitimas numa relação sexual heterossexual, e que a violação
é sempre culpa do homem, neste caso não deve continuar a ler. Este capitulo
não é para si. Como veremos no capítulo sobre igualdade, homens e mulheres
não têm uma relação de simetria e em parte alguma isto está mais claramente
demonstrado que numa relação de namoro e numa relação sexual.
Podemos começar com a falta de simetria reciproca da anatomia genital
do homem e da mulher. Homens e mulheres não têm uma anatomia genital
reciprocamente simétrica ou idêntica. Em vez disso, têm anatomias complementares.
Como todos sabemos os homens têm um pénis e as mulheres têm uma vagina.
O pénis ajusta-se razoavelmente bem à vagina o que com frequência dá
prazer a ambos os companheiros e pode resultar na concepção de um filho,
o que pode ser uma consequência desejada deste procedimento.
Agora, eu não sou técnico nem especialista de Kama Sutra, mas
o ângulo terá que ser o correcto ou caso contrário a mulher pode magoar
o pénis do seu companheiro. Deste modo é melhor para o homem determinar
o ângulo porque apenas ele pode, instantaneamente, saber se é ou não
o melhor, para preservar o seu pénis.
Naturalmente, que não estou a ser muito rígido neste conceito. Outras
posições que não apenas a posição de missionário são viáveis, e não
apenas viáveis. No entanto, não são tão comuns, nem tão frequentemente
praticadas como a posição de missionário.
Os elementos cruciais que
eu quero ressaltar desta exposição são as seguintes:
1. o acto sexual é uma prática a dois;
2. na maioria dos casos, alguma força ou pressão, tem que ser aplicada pelo
homem;
3. em muitos casos, a mulher oferece alguma resistência
a esta força, pelo menos para ultrapassar os músculos da vagina.
Deste modo podemos ver já que a violação é uma questão de grau. Na verdade,
longe de discordar com as feminazis que clamam que “todos os homens
são violadores”, eu concordo com elas. Os homens que participam numa
relação heterossexual são quase compelidos a usar força contra a resistência
natural da mulher, o que provavelmente é abrangido por algumas definições
de violação. O homem tem um pénis que tem que estar erecto para que
a relação sexual possa ter lugar, e comumente, o pénis deve ser forçado
numa pequena abertura para que a penetração ocorra. Estes factos significam
que a psicologia de um homem excitado tipicamente deve ser diferente
da de uma mulher excitada.
As feministas que clamam que a violação não é acto sexual mas um acto
de violência estão erradas. O artigo “as causas do comportamento criminal
– porque fazem eles isso?” (“The Causes of Criminal Behaviour - why
do they do it?”) mostra o contrário, a julgar pelo próprio testemunho
de violadores. Os violadores declararam que o impulso para ter sexo
com uma mulher adulta é a principal causa do crime (3). Todos
os estudos que concluíram que a violação é o resultado de fúria ou perda
de controlo, têm que ser revistos por investigadores que não estejam
sob a ameaça feminista. As feministas têm uma forte motivação ideológica
para provar que a violação é um acto de violência, e qualquer “investigação”
efectuada por elas nesta área está limitada por ter uma finalidade prévia.
Esta finalidade, em alguns países, foi levada tão longe que a pena máxima
por violação é maior que a pena máxima por assassinato! Na Nova Zelândia,
por exemplo, existe o conceito de “detenção preventiva”, isto é, um
período de detenção não definido, que é imposto a crimes sexuais mas
não aos de assassinato. Aqui, tal como nos casos de aborto e de divórcio,
o valor que a sociedade atribui aos direitos e conveniências das mulheres
ultrapassam os direitos dos homens e das crianças nascidas ou não.
De facto, a discussão sobre se a violação envolve sexo ou violência,
perdeu em parte a razão de ser. Nós temos palavras como “sexo”, “violência”,
“prazer” e “dor” que nos permitem dividir o mundo em conceitos arbitrários.
A própria realidade é amorfa. Existe muito pouca diferença entre um
acto sexual e um acto de violência. Será muita coincidência se as palavras
acima poderem corresponder totalmente a reacções bioquímicas completamente
distintas e separadas. Não sou bioquímico, no entanto, posso esperar
que algumas investigações nesta área sejam feitas e examiná-las cuidadosamente.
A prática sexual na vulgar posição de missionário é um acto de violência,
como se explicou acima. Deste modo, não há um nítida linha de divisão
entre prazer e dor. Isto são experiências sensoriais, e umas são claramente
de prazer e outras, claramente de dor, com uma área de divisão pouco
nítida entre elas. Assim certos actos são simultaneamente actos sexuais
e actos de violência e as pessoas podem sentir ao mesmo tempo prazer
e dor.
Bastantes experiências, especialmente em jogos sexuais, são um pouco
dolorosos e mais que um pouco actos de prazer. Quantas mordeduras e
unhadas não fazem parte de alguns actos sexuais? No entanto, como aqui
as “vítimas” são geralmente os homens, as feministas não encontram lugar
onde referir este assunto. Servidão e sado-masoquismo são apenas algumas
práticas do espectro de comportamentos sexuais e não é esta a
diferença em relação ao “sexo normal”. Os filmes de pornografia e morte,
por terríveis que sejam, são apenas um caso extremo de sexo/violência.
O contexto social da violação
As diferenças entre o comportamento sexual dos homens e das mulheres são
em certa medida equivalentes às diferenças da sua anatomia. Por outras
palavras, os homens têm o principal órgão (arma) do acto sexual, e são
também os que tomam a iniciativa da corte. As mulheres têm o receptáculo
para o acto sexual, tendem a ser quem recebe a corte. É, do ponto de
vista biológico, geralmente eficiente para a mulher comportar-se tão
passivamente durante a corte como o faz durante o próprio acto sexual.
Do mesmo modo, do ponto de vista biológico, é eficiente para o homem
comportar-se de modo tão agressivo na corte como no acto sexual.
Isto porque quer a mulher quer o homem podem aplicar o mesmo género de
expectativas (ela: “deixá-lo ter a iniciativa; ele: “É meu dever fazer
a penetração”). Seria um pouco esquizofrénico se a mulher tomasse a
iniciativa durante a corte e subitamente se convertesse à passividade
durante o próprio acto sexual. Em termos de hormonas e estruturas de
personalidade, duvido que o ser humano possa evoluir neste sentido contraditório.
Dado que todos os homens enfrentam a necessidade de lidar com a rejeição
frequente ou indiferença aparente (e as mulheres não), a sobrevivência
da espécie exige que o homem adopte uma atitude de insensibilidade à
aparente rejeição. O velho provérbio “nem o diabo têm a fúria de uma
mulher recusada” tem sentido apenas se a mulher for raramente recusada.
O leitor certamente que não tem a impressão de que hajam milhões de
mulheres movimentando-se impaciente e enraivecidamente por terem sido
recusadas. As mulheres podem sentir-se recusadas algumas vezes no sentido
em que não recebem a atenção do homem que andam a tentar atrair. Mas
isto é muito suave em comparação com a experiência frequente do homem
em fazer uma proposta clara a uma mulher que o rejeita de forma cruel
e humilhante. Não se conhece nenhum provérbio do tipo “nem o diabo têm
a fúria de um homem recusado” pela simples razão de que ser recusado
por uma mulher é experiência comum à maioria dos homens, que não poderiam
fazer a sua vida normal se tivessem ataques de fúria cada vez que isso
acontece.
Há aqui também uma questão de status. Só se pode ficar “furioso”
se sentir que se perdeu o domínio e foi humilhado. Para uma mulher,
é humilhante expor-se à rejeição apenas para ser rejeitada, enquanto
um homem não tem o género de status ou orgulho no contexto no
jogo de sedução que lhe dá o luxo de se sentir humilhado pela rejeição.
O homem pode sentir-se deprimido, certamente, mas não furioso. (Na verdade,
o homem que se sente enraivecido pela rejeição é geralmente considerado
perigoso e potencial criminoso.)
Esta rejeição pode por vezes ser muito traumática, especialmente em
rapazes adolescentes. Deste modo um homem terá que se conformar com
o celibato ou aprender a ser insensível. Há apenas uma linha muito ténue
entre esta mentalidade e a mentalidade de um violador, e é inevitável
que este limite se cruze de tempos a tempos. Deste modo, no contexto,
da definição, reconhecimento e perseguição de crimes sexuais, é um tanto
injusto condenar duramente os homens que cruzem este limite, particularmente
enquanto se permitir às mulheres comportar-se como querem sem correrem
qualquer risco legal sério.
O conceito legal de violação
Temos que decidir quando, e em que extensão, violação e passividade
feminina são dois lados da mesma moeda geneticamente programada, e então
projectar de acordo o nosso sistema legal. Um problema significativo
é o do efeito da propaganda feminista subtil, e como ele tenta deixar
a mulher com a faca e o queijo na mão. A mulher dá-se ao luxo de esperar
que o homem tome todas as iniciativas, e depois acusá-lo de violação
quando e da forma que quiser.
Os masculinistas deverão exigir igualdade sexual na área dos crimes
sexuais. Os tipos de crimes que as mulheres cometem deverão ser mais
duramente penalizados do que são no presente. Para contrabalançar o
crime de violação (a menos que este seja de alguma maneira desvalorizado),
sugiro que haja um processo legal de penalizar a mulher em grau equivalente
por falhar na tomada de iniciativa em relações sexuais, ou, em alternativa,
por rejeitar um homem quando possa ser argumentado que foi ela que o
deixou.
Mulheres em vantagem?
Na prática e na esmagadora maioria dos casos, o homem tem que ter a
iniciativa no relacionamento sexual com a mulher a oferecer resistência
numa atitude que vai de desencorajamento activo (frequentemente, mas
claro que nem sempre, cedendo à medida que o homem insiste), até à aparente
indiferença, de qualquer modo com um não desencorajamento ambíguo e
com sinais de receptividade. Um estudo afirma ter mostrado que, em locais
frequentados por solteiros, é principalmente a mulher que toma a iniciativa
sexual. Este estudo inclui o primeiro contacto físico, no entanto, o
estudo aparentemente incluío o toque “incidental” ou “quase-incidental”
do homem pela mulher. Isto poderá ser típico da posição geral da mulher
de negação no relacionamento sexual. Deste modo, é actualmente claro,
que o risco da transição do conhecimento casual para um relacionamento
físico ou sexual continua a ser uma responsabilidade masculina.
Relativamente recente, o conceito de “época de violação” atingiu os
seus valores máximos, particularmente nos Estados Unidos da América.
Daqui o aparecimento da Escola de Polícia de Prevenção das Ofensas Sexuais
de Antioch (1996) a qual se centra na seguinte definição de “consentimento”:
“Acto de voluntarismo e concordância verbal para se envolver num comportamento
sexual específico”.
O que há de novo na época de violação é que representa uma mudança na
definição de violação. Previamente, a maioria das pessoas assumia que
violação era a penetração sexual forçada de uma mulher sem a sua concordância
explicita. Isto é completamente injusto para o homem. Como
Thomas (Not Guilty: In Defence of the Modern Man, London:Weidenfeld
and Nicholson, 1993) referiu:
Parece haver pouca possibilidade de um rapaz não poder ser acusado de
violação. Para os rapazes ainda se espera que convidem as raparigas
para sair, bebam uns copos com elas, lhes declarem amor eterno e então
façam a tentativa ... se não as tentarem seduzir, as raparigas sentem-se
ofendidas (e começam a fazer difamações sobre a virilidade do rapaz
– Peter Zohrab). E ... pode nunca chegar o momento em que o rapaz pergunte
claramente, “Posso meter” e obtenha a resposta “sim” (op. cit, pag.
178)
E então aqui está o velho problema da mulher que diz “não” querendo
dizer “sim”, que já referi antes. Muitas feministas negam que isto aconteça,
mas Thomas: Not Guilty: In Defence of the Modern Man, London:Weidenfeld
and Nicholson (1993) cita um inquérito de 1991, conduzido entre as estudantes
do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas, onde cerca de
50% das inquiridas admitiu dizer “não” a propostas sexuais quando realmente
queriam dizer “sim” ou “talvez”. Os homens devem conhecer este género
de comportamento da sua própria experiência.
O contexto político da violação
Eu por min estou de acordo com Barbara
Amiel (referido por Thomas: Not Guilty: In Defence of the Modern Man,
London:Weidenfeld and Nicholson, 1993, pags 178-9), que escreveu que
o feminismo...
... mudou o seu objectivo de igualdade
entre os sexos para o objectivo político de poder para a mulher, e está
agora a caminho de legislar sobre a existência de hábitos de corte com
base biológica para as nossas espécies ... As feministas pretendem que
a sexualidade masculina seja irrelevante face à lei criminal. As mulheres
devem ser livres de se envolver em qualquer tipo de comportamento que
se ajuste à sua própria sexualidade sem olhar às consequências. Esta
lógica vê o homem como um simples vibrador. A mulher pode pegar-lhes,
ligá-los, usá-los e depois, se o botão de desligar não funcionar, processam
judicialmente o fabricante pelos estragos.
Também concordo com a conclusão
de Amiel em que atrás de toda esta questão de época de violação há um
objectivo oculto que se pode ver no facto de que as chefes mais velhas
da Organização Nacional de Mulheres Americanas (USNOW), a maior organização
feminista da América, eram lésbicas. Deveria ser psicologicamente duro
para as activistas feministas atacarem homens da maneira que o fazem,
se ao mesmo tempo estivessem emocional e sexualmente envolvidas com
homens.
Claramente, muitas escritoras e activistas feministas odeiam homens,
possivelmente porque são lésbicas. Qualquer um que leia o SCUM Manifesto,
por exemplo, fica sem qualquer dúvida de que é o produto de um ódio
lésbico ao homem, ou misandria, travestida de teoria política:
A vida nesta sociedade que, no seu
melhor, é um completo buraco e sem nenhum aspecto que seja relevante
para a mulher, permanece um lugar de mulheres responsáveis, com sentido
cívico e barulhentas somente para derrubar o governo, eliminar o sistema
monetário, instituir a automação completa e destruir o sexo masculino
(primeiro parágrafo de the Scum Manifesto).
Isto pode ser, em certo sentido, uma situação do género ovo-e-galinha:
algumas mulheres podem tornar-se lésbicas por se terem juntado a um
movimento feminista e encontrado feministas lésbicas, outras podem ter
começado como lésbicas e encontraram depois o movimento feminista como
meio de expressar a sua aversão aos homens. Outras ainda podem ter sido
bissexuais ou com tendências lésbicas que encontraram no movimento feminista
o ambiente propício que as conduziu ao lesbianismo em vez de à heterossexualidade.
Algumas podem mesmo ter-se juntado a movimentos de mulheres para encontrarem
companheiras!
Brownmiller (Against Our Will, New York: Simon & Schuster,
1980) estabeleceu uma teoria de violação muito radical, ou mesmo misandrista:
A capacidade estrutural do homem
para a violação e a correspondente vulnerabilidade estrutural da mulher
são tão básicas na fisiologia de ambos os sexos como o próprio acto
sexual ... anatomicamente, poderemos pretender melhorar a arquitectura
natural, mas esta especulação, a min, parece-me irrealista ... No ambiente
natural de violência em que viveu o homem e a mulher primitiva ... a
violação tornou-se não só uma prerrogativa masculina, mas também uma
forma básica de demonstração de força contra a mulher, o principal instrumento
do desejo dele e do medo dela ... É nem mais nem menos que um processo
consciente de intimidação pelo qual todos os homens mantinham todas
as mulheres em estado de medo. (Brownmiller 1980, 232-233).
Apesar de Brownmiller ter eventualmente
repudiado muito do que disse em Against Our Will, esta pretensão
foi mesmo assim muito influenciadora, particularmente a ideia de que
todos os homens conscientemente mantinham todas as mulheres sob o medo
de serem violadas, o que é uma estrondosa mentira. Não é certamente
verdade para min, e duvido que seja o único. Quando penso em violação,
de todo, nunca me ocorreu que a hipotética possibilidade de violar alguém
me pudesse trazer algum sentimento de poder. Apenas penso nisso em termos
de como eu me sentiria depois. Se todas as mulheres receiam ser violadas
é outra coisa, e as feministas têm trabalhado arduamente para incutir
este medo em todas as mulheres.
Contudo, Brownmiller tem razão num
aspecto oculto em toda este exagero: é plausível sugerir que a possibilidade
de quase todos os homens poderem violar quase todas as mulheres introduza
alguma cor no poder de relacionamento entre os sexos. Do mesmo modo,
porém, poderíamos dizer que o facto de qualquer mulher poder gritar
por violação após qualquer relação sexual também vá colorir o poder
de relacionamento entre os sexos.
As mulheres são, em geral, comparativamente mais passivas numa relação
sexual, e numa relação com penetração em particular. Deste modo o homem
corre sempre o risco de que o “não” de uma mulher, que normalmente significa
“sim” (e é muito comum, como vimos no inquérito citado acima), possa
depois ser reclamado como querendo significar “não”. Isto é especialmente
o caso das sociedades onde é actualmente possível a uma mulher processar
o próprio marido por violação. A violação tem que ser vista no contexto
da época, dos hábitos respeitantes a preliminares e penetração, pressões
e práticas. Browmiller falou da “capacidade estrutural do homem para
a violação e a correspondente vulnerabilidade estrutural da mulher”.
O outro lado da moeda é a capacidade estrutural da mulher para ser passiva
e ambígua, e a correspondente vulnerabilidade estrutural do homem à
recusa e a falsas acusações.
O contraste entre pénis e testículos de um lado, e vagina e ovários
por outro, é relevante da questão da igualdade legal. Ter uma vagina,
torna a mulher mais propensa a ser vítima do que a ser agente da violação,
enquanto ter um pénis torna o homem mais propenso a ser vítima de falsas
alegações de violação. Se incluirmos “consentimento reluctante” na categoria
de “violação”, como algumas feministas fazem, então o homem pode ser
igualmente “violado” deste modo. E de acordo com um inquérito citado
por Warren Farrell, isto é razoavelmente comum.
Projecto-lei de direitos do acto sexual?
As feministas ventilam a ideia de que qualquer homem que sinta tão fortes
necessidades, não consegue literalmente controlar-se a si próprio. Não
sei como podem elas conhecer este possível facto. Possivelmente tudo
isto significa que a mulher nunca tem estes sentimentos. Certamente
um sistema legal nunca deverá pedir que um homem pare uma penetração
a meio. Nem deve uma mulher ter o direito de esperar que um homem se
controle a tal ponto de parar uma relação sexual iniciada quando ela
diz. Reclamo isto na qualidade de activista de direitos dos homens!
Os homens têm que ter alguns direitos no acto sexual, e este precisa
de ser um deles. Um homem não é simplesmente um vibrador vivo que responde
ao chamamento ou sinal da mulher. O homem não pode ser ligado e desligado
como parece ser o desejo de algumas mulheres e do sistema legal feminista.
Possivelmente precisamos de um projecto-lei de direitos do acto sexual,
com este ponto no seu artigo primeiro.
Há então o assunto das bolas azuis. O trabalho de referência do médico
Rosenfeld (Symptoms, New York:Bantam 1990) contém a passagem
seguinte:
Outra causa da dor testicular é uma relação sexual não completada.
A congestão resultante dos tecidos do escroto causa dor. A situação,
conhecida entre aqueles que a sofrem por “bolas azuis”, é remediável
– mas não por um médico!
A mulher não sofre dor análoga por uma relação sexual não completada,
e em sociedades onde a masturbação é altamente desaprovada, um homem
pode chegar a um estado de luta contra a compulsão sexual de violar
uma mulher devido à pressão física de se libertar da sua dor. Isto não
torna a violação desculpável (moral ou legalmente), mas coloca o homem
numa situação diferente daquela que a mulher enfrenta.
Conclusão
A questão da violação precisa de ser repensada nas sociedades ocidentais.
Tal como outras questões de homens e pais, esta deverá ser, e provavelmente
será, um duplo ataque ao status quo:
1.
Grupos especializados em homens concentrar-se-ão num lobbying para a
mudança de leis específicas.
2.
Os activistas dos direitos dos homens em geral gradualmente farão a sociedade
compreender que os sentimentos, interesses e direitos dos homens e pais,
precisam de ser tidos em conta aquando da tomada de decisões legislativas
e administrativas que os possam afectar. Isto aplicar-se-á gradualmente
a leis relacionadas com a violação e, também, a outras partes do sistema
legal.
Neste contexto, os costumes das sociedades onde as mulheres fazem um esforço
para serem modestas e se colocarem na pele dos homens, nunca mais parecerá
estranho. Elas serão uma solução para um velho problema, As modernas
sociedades feministas tomaram o objectivo de as mulheres “poderem ter
tudo” – isto é, se alguma coisa der errada, a culpa é posta sobre o
homem. Isto é injusto para o homem.
Não vejo uma utopia óbvia, tão depressa quanto
o exige a preocupação com a lei da violação. A violação é um problema.
Parte do problema é que a lei está a intervir nas áreas da corte e do
acto sexual, e estas áreas não fazem igual pressão em homens e mulheres.